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Faxina Mensal

· Categoria: Manutenção

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O que faz

Uma vez por mês, peço pra um modelo forte varrer o meu segundo cérebro atrás de coisa fora do lugar, duplicada, esquecida ou que parou de bater com o que os meus arquivos de controle dizem. É uma auditoria que usa duas peças de eval: roda numa sessão nova, fora do contexto em que as coisas foram construídas (o princípio do “LLM as a judge”), e segue uma régua definida antes de começar, os três baldes do arquivo lá embaixo.

O ponto principal é que ela não sai arrumando tudo sozinha. O que é mecânico e dá pra desfazer, ela faz. O que pede julgamento, ela propõe e para. O resto ela não toca. E no fim ela conta o que não conseguiu verificar, que é onde a IA eloquente costuma esconder o buraco. Nada é apagado de verdade: o que sai do lugar vai pra uma pasta de quarentena.

Quando usar

Uma vez por mês, com um lembrete no seu gerenciador de tarefas. A primeira rodada demora mais; as seguintes ficam curtas. Faz sentido a partir do momento em que o seu Claude OS tem um CLAUDE.md, um MEMORY.md e algumas pastas de projeto, porque é justamente o descolamento entre o que esses arquivos dizem e o que existe nas pastas que ela procura.

Como instalar

  1. Copie o bloco do arquivo abaixo e salve na raiz do seu Claude OS com o nome faxina-mensal.md.
  2. Abra uma sessão nova na raiz do Claude OS (Claude Code no terminal ou Cowork com acesso à pasta), com o modelo mais forte que você tiver. Eu uso o Fable; o Opus serve.
  3. Escreva: “Leia o faxina-mensal.md e execute do começo ao fim.”

Pra transformar em eval de verdade

Do jeito que está, a faxina tem régua e roda fora do contexto, mas falta o que define um eval: comparar com uma resposta certa conhecida e dar uma nota. Ela também mexe no que está avaliando (o balde A), enquanto um eval só mede. Dois ajustes resolvem, e dá pra fazer os dois depois da primeira rodada.

1. Placar fixo. Transforme o inventário numa lista de verificações de passa ou não passa, sempre as mesmas, e peça pro relatório abrir com a nota. Acrescente ao fim do arquivo:

Antes do relatório, preencha este placar com PASSA ou NÃO PASSA e abra o relatório com o total (ex.: 8 de 10): (1) todo projeto da pasta aparece no CLAUDE.md; (2) todo projeto do CLAUDE.md existe na pasta; (3) nenhuma entrada do índice aponta pra arquivo inexistente; (4) nenhum arquivo solto fora do índice; (5) nenhuma duplicata com conteúdo idêntico; (6) nenhuma pasta vazia; (7) caixa de entrada sem nada parado há mais de 15 dias; (8) MEMORY.md raiz dentro do teto de linhas; (9) nenhum MEMORY.md de projeto ativo parado há mais de 30 dias; (10) nenhum projeto sem modificação há mais de 45 dias sem estar marcado como pausado. Compare com o placar do relatório anterior, se existir.

Com isso você passa a ter uma nota por mês, e o que importa deixa de ser a lista de achados e passa a ser a tendência.

2. Gabarito plantado. Antes de rodar, esconda 3 problemas que só você sabe que existem: uma cópia exata de um arquivo em outra pasta, uma linha no índice apontando pra um arquivo que não existe, e uma pasta vazia. Anote num papel, fora do Claude OS. Se o relatório não achar os 3, quem está falhando é a própria faxina, e aí vale ajustar as instruções antes de confiar no resto do que ela disse. Depois da rodada, confira: o que ela achou já foi pra quarentena ou pro relatório; o que ela não achou, você desfaz na mão.

É o gabarito de “bom, ruim e fronteira” que eu uso pra avaliar agente, só que aplicado ao auditor. Se quiser um terceiro ajuste, rode a faxina em modo sombra (acrescente “não aplique o balde A, só proponha”) e compare o que ela propõe com o que você mesmo faria.

A família

Essa é uma de três rotinas que mantêm o meu segundo cérebro de pé, e talvez valha pensar nas três:

Arquivo

# Faxina mensal do segundo cérebro

Você vai fazer a faxina mensal do segundo cérebro desta pessoa. Trabalhe em fases, na ordem. Não pule fase, não antecipe escrita, não termine antes do relatório.

## Leituras de base

Antes do primeiro comando, leia o CLAUDE.md e o MEMORY.md da raiz e, se existir, o índice de arquivos (INDEX.md ou equivalente). Eles dizem como a pessoa organiza as coisas e o que está vivo agora. Não anuncie o que leu.

Depois pergunte, numa mensagem só:
- Tem alguma pasta que eu não devo tocar de jeito nenhum? (documento pessoal, dado da empresa, algo exportado por aplicativo)
- Algum projeto terminou desde a última faxina?

## Travas invioláveis

1. Nada é apagado de verdade. Nesta sessão não existe deletar. O que sair do lugar vai pra uma pasta _quarentena-AAAA-MM-DD/ na raiz, preservando o caminho original dentro dela. A pessoa apaga a quarentena depois de 30 dias sem sentir falta.
2. Duplicata se prova por conteúdo, nunca por nome. "(1)" ou "cópia" no nome é hipótese. Tamanho igual também não prova. Só trate como duplicata o par com conteúdo idêntico, e mesmo assim mantenha o do caminho mais lógico.
3. Documento não é prova do agora. Se o CLAUDE.md, o índice ou qualquer arquivo de controle disser que algo existe, confirme na pasta antes de agir. Boa parte do trabalho é justamente achar onde o documento e a realidade se descolaram.
4. Não invente organização nova. Você reencaixa o que está fora do lugar nas regras que a pessoa já tem. Não cria pasta-mãe nova, não renomeia estrutura, não reorganiza a hierarquia.
5. Atalho de nuvem não é arquivo vazio. Arquivo minúsculo de Google Docs, Sheets ou Slides (.gdoc, .gsheet) é um atalho, e o conteúdo está na nuvem. Nunca trate como vazio ou lixo.

## Fase 1: Inventário (só leitura)

Meça, com comandos, sem estimar:
- Quantos arquivos em cada pasta principal.
- Arquivos parados na caixa de entrada (se existir) há mais de 15 dias.
- Candidatos a duplicata: nomes com "(1)", "cópia", "copy", e arquivos com o mesmo tamanho exato.
- Pastas vazias.
- Descolamento entre controle e realidade: projeto que existe na pasta mas não aparece no CLAUDE.md (ou vice-versa); entrada do índice apontando pra arquivo que não existe mais; arquivo solto que não aparece no índice.
- Memória desatualizada: MEMORY.md de projeto ativo sem mudança há mais de 30 dias; MEMORY.md raiz passando do teto de linhas que o CLAUDE.md define.
- Projetos sem nenhuma modificação há mais de 45 dias.

Não conserte nada ainda.

## Fase 2: Três baldes

Cada achado entra em exatamente um balde. Na dúvida entre dois, escolha o mais conservador.

Balde A, automático (você aplica). Só o que é mecânico, reversível e sem julgamento:
- Pasta vazia: remover.
- Duplicata com conteúdo idêntico comprovado: a cópia vai pra quarentena.
- Entrada do índice apontando pra arquivo que comprovadamente não existe: remover a linha.
- Arquivo novo na pasta certa, só sem entrada no índice: indexar.

Balde B, propor (a pessoa decide). Tudo que exige saber o que uma coisa significa:
- Arquivar projeto. Nunca automático: só a pessoa sabe se acabou.
- Mover arquivo entre pastas principais.
- Mudar o CLAUDE.md ou o MEMORY.md.
- Duplicata com conteúdo diferente e nome parecido (versões de um documento).
- Qualquer item em que você hesitou.

Balde C, não tocar. As pastas que a pessoa listou, qualquer documento pessoal ou legal, e pastas de sistema (.git, .claude, .obsidian).

## Fase 3: Aplicar só o balde A

Em lotes pequenos, até 20 operações por vez. Se algum lote der um resultado que você não previu, pare e conte, em vez de seguir.

## Fase 4: Relatório, e pare

Escreva faxina-AAAA-MM-DD.md na raiz, com:
1. Antes e depois em números.
2. O que eu apliquei, com o caminho de cada coisa que foi pra quarentena.
3. O que eu proponho, numerado, cada item com o quê, pra onde, por quê em uma frase e o que se perde se eu estiver errado. A pessoa responde "faz 1, 3 e 5".
4. O que eu não toquei, e por quê.
5. O que eu não consegui verificar. Seja explícito: pasta que você não leu inteira, arquivo que não abriu, comando que demorou demais. Silêncio aqui parece cobertura completa, e não é.

Mostre o resumo no chat e pare. Só aplique o balde B nos itens que a pessoa aprovar por número. Ao arquivar um projeto, atualize também o CLAUDE.md, o índice e o MEMORY.md.

## Como falhar direito

Se você se pegar pensando uma destas frases, escreva no relatório em vez de agir:
- "Isso claramente é lixo." Se fosse claro, estaria no balde A.
- "O índice diz que este arquivo não existe mais." O índice não é a pasta. Confira a pasta.
- "São 300 arquivos parecidos, vou tratar em massa." Em massa sem conferir conteúdo é chute em massa.
- "O arquivo é minúsculo, está vazio." Pode ser atalho de nuvem.