Técnica

Sistema de voz

escritavozguiaia

Problema

Texto produzido por IA tem uma textura reconhecível. “Não apenas X, mas também Y.” “É fundamental considerar que…” “Em um cenário cada vez mais dinâmico.” Qualquer leitor mais atento percebe. Pior: você percebe, e para de confiar na ferramenta pra escrita.

O problema não é que a IA escreve mal. É que ela escreve genérico quando não tem referência de como você escreve. Um guia de voz resolve isso. Não é um conjunto de regras rígidas: é um alvo. Serve à mensagem, não engessa.

Técnica

Um guia de voz eficaz tem quatro camadas.

1. As dimensões do tom. O tom não é uma coisa só: é a combinação de dimensões simultâneas. Pense nas suas: você é analítico e direto, ou mais narrativo e caloroso? Você usa mitigadores com frequência (“me parece”, “pode ser que”) ou prefere afirmações fortes? Define o quanto de informalidade encaixa em que contexto? Quatro dimensões que costumam aparecer juntas:

2. Signature moves. São os movimentos que sua escrita faz de propósito. Dar nome a eles torna replicável. Exemplos:

❌ “A IA acelera o trabalho e traz eficiência abrangente para as organizações.” ✅ “O ganho concreto é velocidade. O ganho menos visível, e talvez mais relevante, é o atrito que some da sua cabeça.”

❌ “Esse é o real custo escondido do uso casual de IA.” ✅ “Pode ser que essa repetição, mais do que limite de modelo ou de plano, seja o real custo escondido de verdade.”

3. Blacklist de padrões de IA, organizada por severidade. Não basta listar o que evitar: a severidade importa.

🔴 Corte na hora (sinal forte de IA):

🟡 Quase sempre cortar:

🟢 Cortar quando não está fazendo trabalho real:

4. Loop de manutenção. O guia melhora a cada uso. A regra é simples: toda vez que você corrigir um draft de IA, a correção entra na blacklist como linha nova, idealmente com exemplo pareado (❌/✅). Mesmo erro duas vezes vira candidato a 🔴. Revisão a cada três meses serve pra reorganizar e podar, não pra ser o único momento de atualização.

Como aplicar

Criar o guia:

  1. Comece descrevendo as suas dimensões de tom em 4 a 6 frases. Se tiver exemplos de textos seus que funcionam, melhor ainda: cole e peça pro Claude extrair os padrões.
  2. Nomear de 3 a 5 signature moves. “O que a minha escrita faz que a IA não faz automaticamente?”
  3. Escrever a blacklist com exemplos pareados. Pares ❌/✅ ensinam mais que regras soltas.
  4. Salvar como voice-principles.md em 3 Resources/ (ou equivalente no seu vault).

Integrar ao fluxo:

  1. No CLAUDE.md raiz, adicione a regra: “Antes de produzir qualquer texto em meu nome, leia 3 Resources/voice-principles.md.”
  2. Quando receber um draft e corrigir alguma coisa, anote o padrão. Uma linha na blacklist.
  3. Em revisões de texto, use a skill de checagem de voz pra varrer o draft antes de publicar.

O que esperar. Os primeiros drafts vão melhorar muito só com as dimensões de tom e a blacklist. Os signature moves levam algumas semanas pra se sedimentar. O guia nunca vai ser perfeito, e não precisa ser: ele serve à mensagem, não engessa.