Técnica

Roteie o modelo pela tarefa

modelocustoclaude-codemultiagente

Problema

Muita gente escolhe um modelo e usa o mesmo pra tudo: o mais inteligente que tem acesso, o tempo todo, por garantia. É caro e desnecessário. A maior parte do que você pede à IA num dia não exige raciocínio: é extrair dado, formatar texto, classificar, renomear, rodar um loop repetitivo. Pagar um modelo de fronteira pra fazer isso é como pagar um consultor sênior pra carimbar papel.

Técnica

Separe o trabalho em dois tipos e roteie cada um pro modelo certo.

Pensar é decidir, escrever com nuance, planejar, encontrar a estrutura de um argumento, ponderar um trade-off. Aqui vale o modelo caro de raciocínio. No caso da Anthropic, os topo de linha como o Opus, ou um modelo de fronteira. É onde a inteligência a mais se paga.

Executar é o braçal: extrair os campos de uma planilha, reformatar 200 itens, classificar uma lista, aplicar uma regra mecânica repetida. Aqui vale o modelo rápido e barato, o Haiku. Ele faz isso bem e custa uma fração.

Um exemplo concreto de como isso se combina num só trabalho. Eu uso o modelo forte pra gerar a estratégia de um texto: a tese, a ordem dos argumentos, o tom. Decidido isso, se preciso fazer 200 substituições mecânicas no documento (trocar um termo, padronizar uma formatação), desço pro modelo barato. O cérebro foi caro uma vez; a mão foi barata 200 vezes.

Como aplicar

No Claude Code, troque com /model conforme a tarefa muda. Começou a planejar algo denso, sobe; vai fazer o trabalho repetitivo depois, desce. O seletor fica no último escolhido, então confira no início.

Em workflows multiagente, coloque o modelo forte como orquestrador ou juiz, quem decide e avalia, e os modelos baratos nos sub-agentes que executam. O sênior distribui e revisa; os baratos fazem o volume.

No dia a dia, treine o olho pra perceber em qual modo você está. Antes de mandar o pedido, pergunte: isso é pensar ou é executar? A resposta quase sempre é óbvia, e ela decide o modelo.

Um porém: não vire refém da microtroca. Se a tarefa é curta e mista, talvez não compense ficar trocando de modelo o tempo todo, o atrito come a economia. A regra rende mais quando o trabalho tem volume claro de um lado ou do outro, que é a maioria dos casos onde o custo realmente acumula.