Técnica

Montar seu Claude OS, passo a passo

claude-ossetupparamemoriainiciante

Problema

Os artigos sobre camadas de memória, PARA e stacking de regras explicam por que um Claude OS funciona. Falta a parte prática: sentar e montar. Esta técnica é o checklist executável. Você abre o Cowork (o modo do Claude com acesso à sua pasta no computador), segue os passos e sai com uma estrutura de pé.

Reserve de 30 a 45 minutos com calma. Dá pra pausar e voltar depois: como o sistema mantém a própria memória, ele lembra de onde você parou. E começa pelo mínimo. Montar tudo de uma vez não é o objetivo, montar o suficiente é.

Uma metáfora ajuda a guiar o caminho todo: a pasta raiz é a casa, as pastas internas são os cômodos, os arquivos são os objetos. Cada cômodo tem um manual (CLAUDE.md) e uma memória (MEMORY.md). A casa inteira tem um inventário (INDEX.md) e um baú (ARCHIVE.md). Vou usar essa linguagem nos passos, sempre com o nome técnico junto.

Técnica

Passo 1: criar a estrutura da casa

Crie uma pasta chamada Claude OS (Documentos serve). Dentro dela, monte as 5 pastas e os 4 arquivos da raiz:

Claude OS/
├── 0 Inbox/        ← o hall de entrada (tudo chega aqui primeiro)
├── 1 Projects/     ← ala de coisas com prazo e entrega
├── 2 Areas/        ← ala de responsabilidades contínuas
├── 3 Resources/    ← ala de referências que você consulta
├── 4 Archive/      ← ala do que acabou (mas se guarda)
├── CLAUDE.md       ← o manual da casa
├── MEMORY.md       ← a memória da casa
├── INDEX.md        ← o inventário (o que existe e onde)
└── ARCHIVE.md      ← o baú (memórias antigas, fora do caminho)

Essa é a arquitetura PARA (Projects, Areas, Resources, Archive), de Tiago Forte, com um Inbox na frente. A força do método está em classificar pelo tipo de fluxo, não pelo tema: “treino” pode ser projeto (treinar pra uma prova com data) ou área (cuidar do corpo pra sempre), depende do recorte que faz sentido pra você.

Aponte o Cowork pra essa pasta. Dá pra criar a árvore à mão, ou pedir: “crie esta estrutura de pastas e arquivos vazios na raiz”.

Passo 2: escrever o manual da casa (CLAUDE.md raiz)

O arquivo mais importante. Define como o Claude trabalha pra você, em qualquer cômodo. Muda raramente: pensa nele como uma constituição. Comece com 3 ou 4 regras que importam de verdade e vá adicionando pelo uso. Quando algo te incomodar no caminho, é só falar “lembre disso” que o manual se ajusta.

Use este esqueleto:

# CLAUDE.md (o manual da casa)

## Início de toda sessão

Leia, nesta ordem, antes de qualquer coisa:
1. `MEMORY.md`, pra saber o que está acontecendo no meu mundo
2. `INDEX.md`, pra saber quais arquivos de referência existem

Use o que encontrar pra informar seu trabalho. Não anuncie o que leu.

Quando eu disser "lembre disso", escreva a informação no `MEMORY.md`
imediatamente e confirme.

## Onde salvar o quê (2 testes)

- Prescreve comportamento? ("sempre", "nunca", "antes de X faça Y")
  → vai pro CLAUDE.md do nível certo.
- É um fato que pode mudar? (contato, status, decisão)
  → vai pro MEMORY.md do nível certo.
- Na dúvida, sugira onde acha que vai e me pergunte.

## Regras do MEMORY.md

1. Cada entrada: máximo 2 frases.
2. Teto de 150 linhas. Passou: comprima as entradas verbosas e mova as
   obsoletas pro ARCHIVE.md (o baú). Nunca suba o teto.
3. Quando um projeto terminar ou uma entrada envelhecer, mova pro
   ARCHIVE.md automaticamente.

## Regra da casa e regra do cômodo

Cada área ou projeto pode ter seu próprio CLAUDE.md e MEMORY.md. A regra
da casa vale em todo cômodo. A regra do cômodo vale só nele. Nenhum nível
repete o que já está acima.

## Mapa de roteamento

| Pasta | Roteie pra cá quando eu... |
|---|---|
| (preencher conforme as áreas forem criadas) | |

## Preferências

- Tom: [direto e conversacional, ou formal e detalhado]
- Listas em bullets, raciocínio em parágrafos.
- Recomendação direta quando a escolha for clara; opções com prós e
  contras quando houver trade-off real.
- Outras regras suas: [ex: nunca usar travessão, sempre citar fonte]

## Auditoria de sessão

Quando eu disser "audite essa sessão", varra a conversa procurando
preferências novas, decisões e correções que eu ensinei. Adicione o que
for novo no MEMORY.md certo e confirme.

Duas seções valem o cuidado. As “Preferências” guardam seu tom de voz no dia a dia e seus hábitos fixos. O “Mapa de roteamento” começa vazio e diz pro Claude qual pasta carregar pra cada tipo de pedido. Você adiciona uma linha por cômodo no passo 4.

Passo 3: criar a memória, o inventário e o baú

Os outros três arquivos da raiz. A regra de divisão é a dos dois testes: o que prescreve comportamento (sempre, nunca) vai pro manual; o que é fato que pode mudar (status de projeto, contato, decisão) vai pra memória.

O MEMORY.md é a memória da casa: fatos vivos do seu mundo, que o Claude atualiza sozinho conforme você ensina. Comece com um punhado de fatos sobre você.

# MEMORY.md (a memória da casa)

_Entradas de no máximo 2 frases. Teto de 150 linhas. O que envelhecer
vai pro ARCHIVE.md (o baú)._

## Sobre mim
(nome, o que você faz, o contexto que ajuda o Claude a te entender)

## Pessoas importantes
(contatos chave, com uma linha de quem é cada um)

## Projetos e áreas ativas
(o que está acontecendo agora)

## Decisões e regras recentes
(coisas pra você lembrar)

O INDEX.md é o inventário: uma linha por arquivo de referência, dizendo o que é e onde está. O Claude lê esse mapa no início e só abre o arquivo completo quando ele indica relevância. Sem o inventário, arquivos criados dentro de projetos ficam invisíveis pra sessões futuras.

# INDEX.md (o inventário da casa)

_Uma linha por item: o que é e onde está._

## Arquivos da raiz
- CLAUDE.md, o manual da casa
- MEMORY.md, a memória da casa
- ARCHIVE.md, o baú de memórias antigas

## Cômodos
(preenchido conforme áreas e projetos forem criados)

O ARCHIVE.md é o baú: memórias antigas e projetos encerrados, fora do caminho. Nunca é lido no início da sessão, só quando você pergunta sobre algo do passado. Ele nasce quase vazio.

# ARCHIVE.md (o baú)

_Memórias antigas e projetos encerrados. Nunca lido no início da
sessão; consultado só quando eu perguntar sobre o passado._

Você não precisa editar o inventário nem o baú à mão: o Claude cuida dos dois.

Passo 4: criar o primeiro cômodo

É aqui que o sistema vira o seu sistema. Escolha uma única responsabilidade contínua da sua vida (finanças, saúde, uma frente do trabalho, estudos) e crie um cômodo pra ela. Uma só, pra começar. Vale o teste: “isso continua existindo daqui a um ano?”. Sim → é área. Não → é projeto.

Para uma área, crie a pasta em 2 Areas/ (nome em minúsculas) com:

Para um projeto (algo com prazo, que vai acabar), crie a pasta em 1 Projects/ com um CLAUDE.md de briefing (nome, prazo, objetivo, entregáveis) e um MEMORY.md de estado atual.

Para fechar, três ajustes que conectam o cômodo ao resto da casa:

  1. Adicione uma linha no MEMORY.md raiz registrando o cômodo novo.
  2. Adicione uma linha no INDEX.md.
  3. Preencha o mapa de roteamento no CLAUDE.md raiz, ex: 2 Areas/financas/ | “Falar de orçamento, gastos, investimentos”.

Como aplicar

A estrutura básica está pronta com os passos 1 a 4: uma casa funcional, com um cômodo de verdade. O resto cresce conforme a necessidade aparece.

Dois hábitos fazem o sistema valer o esforço. “Lembre disso” grava um fato na memória na hora. “Audite essa sessão”, no fim de uma conversa importante, faz o Claude varrer a conversa sozinho e extrair tudo que vale guardar. Os dois transformam o uso normal em manutenção automática.

O passo natural depois do setup é dar uma tarefa real de 10 minutos no cômodo que você criou: organizar dois ou três arquivos que você jogar na pasta, ou começar um documento que já ia fazer essa semana. É o uso real que faz a estrutura ganhar tração, não a montagem.

Um detalhe sobre os três arquivos de memória: este guia te dá o suficiente pra rodar, mas a lógica de divisão entre CLAUDE.md, MEMORY.md e INDEX.md tem mais profundidade. A técnica de camadas de memória aqui no site detalha as regras de onde guardar cada coisa e como o empilhamento raiz → área → projeto funciona.