Técnica
A rotina que mantém seu gerenciador de tarefas sozinho
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Todo gerenciador de tarefas tem um lugar onde as coisas vão morrer. É a lista de “algum dia”, o backlog sem data, a caixa de entrada que você abre, olha, e fecha de novo. Capturar tarefa é fácil. Manter o sistema limpo é que custa, e por isso quase ninguém mantém.
Dá pra delegar essa manutenção pra uma rotina de IA que roda uma vez por dia. Aqui está o modelo que eu uso, abstraído pra você adaptar ao seu setup.
O modelo: projeto é estado, assunto é etiqueta
A primeira decisão é não usar os projetos do app pra organizar por tópico. Use os projetos pra marcar estado temporal da tarefa:
- Entrada: captura crua, ainda não triada.
- Algum dia: sem data, backlog.
- Agendado: tem data, vai acontecer.
O assunto da tarefa (a que área da sua vida ela pertence: finanças, saúde, trabalho, um projeto específico) entra por etiqueta, nunca por projeto. Isso separa duas perguntas que costumam se misturar: “quando isso acontece?” e “de que mundo isso é?”.
A etiqueta pode ser viva. Em vez de uma lista fixa, a rotina deriva as etiquetas das áreas e projetos que você já tem no seu sistema, e cria uma nova quando aparece um mundo novo. Você não configura nada à mão.
O motor: o que a rotina faz todo dia
Cinco passos, em ordem:
- Deriva as etiquetas a partir das áreas e projetos ativos do seu sistema.
- Roteia por data: tarefa na entrada ou no “algum dia” que ganhou prazo vai pro “agendado”, sem tocar na data. Tarefa no “agendado” que perdeu a data volta pro “algum dia”. É o passo manual que a maioria repete o dia todo sem perceber.
- Etiqueta por área quando a inferência é clara. Quando não é, sinaliza em vez de chutar.
- Tira ideia do meio das tarefas: o que é pensamento disfarçado de tarefa (“e se eu fizesse X”) vira nota no lugar certo, e o backlog volta a ter só ação de verdade.
- Lista candidatas a arquivar: o que está parado há muito tempo, duplicado ou já resolvido. A rotina não apaga, só mostra a lista.
A fronteira de segurança (a parte que importa)
O que me deixou confortável em delegar isso não foi a capacidade da IA. Foi uma regra única:
O que é reversível, a rotina faz sozinha. O que é destrutivo, ela nunca faz: só sinaliza.
Mover uma tarefa, colar uma etiqueta, criar uma nota: tudo reversível, ela faz. Apagar, concluir, sobrescrever: destrutivo, ela nunca toca. Quando ela acha que uma tarefa morreu, mostra uma lista de candidatas, e o “concluído” continua sendo seu.
Isso resolve o medo certo. O risco de uma rotina autônoma não é ela fazer pouco, é ela fazer algo que você não consegue desfazer. Se você proíbe o irreversível, o pior caso vira “ela moveu uma tarefa pro lugar errado”, que você corrige em dois segundos.
Um detalhe que evita ruído: marque as candidatas a arquivar com uma etiqueta de controle e, no relatório do dia seguinte, destaque só as novas. Senão a rotina te mostra a mesma lista todo dia e você para de ler.
Como adaptar ao seu setup
Você não precisa do meu sistema pra usar isso. O mínimo viável:
- Um gerenciador de tarefas que uma IA consiga ler e editar (a maioria dos grandes tem integração).
- Uma rotina agendada que roda uma vez por dia.
- Um prompt que descreve os cinco passos acima e, principalmente, a fronteira: liste o que ela pode fazer (reversível) e o que ela nunca pode fazer (apagar, concluir, sobrescrever).
Comece pelo passo 2 sozinho, só o roteamento por data. É o que dá o ganho mais rápido e o que tem o menor risco. Quando confiar, adiciona os outros.
Roda por duas semanas e mede pelo acúmulo, não pela primeira execução: quanto da faxina você deixou de fazer na mão? Esse número é o retorno.