Técnica
Kit de deck portátil: a engine de slides que eu reuso
claudeslidesdesign-systemhtmlapresentacao
Toda vez que eu ia fazer uma apresentação do zero, repetia as mesmas decisões: escala de tipo, ritmo dos slides, quando o fundo vira escuro, qual layout serve pra um confronto e qual serve pra um passo a passo. Demorava, e o resultado variava sem motivo.
Então separei o que muda do que não muda. O que não muda virou uma engine: o storytelling, os 9 arquétipos de slide, a escala, a cor como mapa do arco. O que muda virou um skin: paleta, tipos, tom. A engine fica pronta de uma vez. Por projeto, eu troco só o skin e o conteúdo. É daí que vem a economia de tempo: a parte cara já está resolvida, e o que sobra é a decisão de marca (cinco escolhas) e o storyline.
O kit nasceu do design system de um workshop (“Make IA Cool Again”) e é par do método CANETA. O que segue é a descrição do sistema. O kit completo, com todo o CSS, é copiável pra você colar numa sessão nova do Claude.
A separação engine / skin
A engine é neutra. Ela não tem opinião sobre cor ou fonte: tem opinião sobre estrutura. O skin entra em um lugar só, no topo do <style>, e dá identidade ao deck inteiro.
São cinco decisões de skin: fundo padrão (claro, quente, não branco puro), escuro de pico (o fundo dos slides de evento), acento único (uma cor de marca, só uma), par tipográfico (display, mono e sans) e tom (o léxico da fala). Os tokens ficam num bloco :root:
:root{
/* ===== SKIN: preencha ===== */
--bg:#F7F6F3; /* 1. fundo padrão claro */
--bg-alt:#EFEDE8; /* variação clara pra blocos de apoio */
--ink:#0E0E10; /* 2. escuro de pico */
--accent:#2D5BFF; /* 3. acento único (cor da marca) */
--sticker:#C8F000; /* badge/checkpoint só. nunca fundo nem texto corrido */
--display:'Playfair Display',serif; /* 4a. peso e emoção */
--mono:'Space Mono',monospace; /* 4b. estrutura e metadado */
--body:'DM Sans',sans-serif; /* 4c. respiro */
/* ===== engine: não precisa mexer ===== */
--text:#161616;
--on-ink:#F2F1EC; /* texto sobre escuro */
}
Troque os cinco valores comentados como SKIN e o deck inteiro muda de cara sem você tocar em mais nada.
Os 6 princípios da engine
São seis regras que governam tudo. Quem monta o deck instancia um template, não inventa layout novo a cada tela.
- Uma ideia por tela. Se precisa de dois pensamentos, são dois slides. O slide ancora, a voz explica.
- Grande e sem margem sobrando. Tipo dimensionado pela largura do slide (
cqw), margem de ~4,5%. Legível de longe, independente do projetor. - Claro padrão, escuro no pico. O fundo claro respira o dia inteiro. O escuro entra em capa, no momento “uau” e no fechamento. A cor vira mapa de onde a pessoa está no arco.
- Snap, um slide por vez. Cada slide preenche a viewport e o avanço trava no próximo. Previsível pra apresentar ao vivo e pra voltar um ponto.
- Léxico próprio, sem muleta. Cena, não feature. Sem travessão, sem genérico de abertura, sem adjetivo de catálogo. Tom nunca motivacional.
- Ícone no lugar de texto. Quando um ícone grande comunica na hora, ele substitui a frase em vez de enfeitar.
Os 9 arquétipos de slide
Todo slide do seu storyline cai em um destes nove. Se um slide não encaixa, repense o conteúdo, não invente layout.
- Frase. Uma frase grande sobre fundo escuro. Pra capa, pausa ou transição forte.
- Título + apoio. Um título e uma lista curta. O cavalo de batalha: promessa, agenda, combinados, plano.
- Confronto. Dois painéis com seta no meio. Pra antes/depois, isto vs aquilo, mostrar transformação.
- Diagrama. Nós com ícones e setas. Pra fluxo de etapas conectadas, bom no escuro como momento “uau”.
- Parede de frases. Cards levemente tortos com aspas e um soco no fim. Pra vozes da plateia, citações, dores.
- Grade de cards. Quatro cards com ícone à esquerda. Pra enumerar itens sem virar bullet point.
- Passo GPS. Número grande, micro-passos e uma confirmação. O motor de qualquer parte hands-on ou tutorial ao vivo.
- Placar. Linhas com dot que acende. Pra acompanhar um progresso recorrente: abre cedo, reabre no meio, fecha cheio.
- Divisor de bloco. Título de seção e um stepper que marca onde a apresentação está. Repete a cada abertura de bloco.
Como usar o kit
O kit carrega a engine inteira e deixa o skin pra você preencher. Você diz ao Claude onde está o storyline e manda ele construir. A instrução de build é esta:
Leia o storyline em CAMINHO_DO_STORYLINE. Construa um deck de slides em um
único arquivo HTML autossuficiente usando o sistema deste kit. Regras:
1. Cole os tokens do SKIN no :root (use os defaults se eu não tiver trocado) e
o scaffold no <style>. Inclua o <link> da Google Fonts pras três famílias.
2. Para cada slide do storyline, escolha UM dos 9 arquétipos e instancie com o
conteúdo real. Se algum não encaixar, repense o conteúdo do slide; não invente
layout novo.
3. Aplique a cor como mapa do arco: fundo claro padrão, escuro só em capa, picos
e fechamento. Use o divisor pra abrir cada bloco, com o stepper marcando o
progresso.
4. Desenhe ícones custom pros conceitos do storyline. Sem emoji, sem biblioteca
pronta.
5. Respeite as regras de voz: sem travessão, sem genérico de abertura, sem muleta
de IA, uma ideia por tela, frase curta.
6. Numere os slides e rotule o bloco no topo de cada um.
7. Saída: um .html que abre no navegador, um slide por viewport, scroll-snap
vertical. Antes de finalizar, liste quantos slides saíram e qual arquétipo
cada um usou.
O scaffold de base é pequeno: snap vertical e escala relativa à largura, então o mesmo código serve em qualquer projetor.
.deck{scroll-snap-type:y mandatory;height:100vh;overflow-y:scroll;}
.slide{
scroll-snap-align:start;height:100vh;width:100%;
container-type:inline-size; /* habilita cqw: 1cqw = 1% da largura do slide */
position:relative;overflow:hidden;padding:4.5%;
}
.slide.cream{background:var(--bg);color:var(--text);}
.slide.dark{background:var(--ink);color:var(--on-ink);}
O resto (o CSS de cada arquétipo, o set de ícones, os três padrões de movimento) vive no kit completo, que você copia inteiro pra uma sessão nova. A ideia é não recomeçar: a engine não muda, e cada projeto novo é só skin novo mais storyline novo.