Técnica

Fluxo de captura

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Problema

Você salva artigos, vídeos e newsletters o dia inteiro. Na semana seguinte, não lembra onde guardou e nem por que salvou. Ferramentas de captura resolvem a coleta, mas não o roteamento: o material se acumula no inbox sem ir a lugar nenhum.

A tentação é pedir pra IA “rotar isso pro lugar certo”. O problema é que a IA chuta quando não tem instrução explícita. Ela move, você não vê, e a confiança no sistema quebra. Uma solução funcional precisa de uma divisão de trabalho diferente: humano decide o destino, IA executa.

Técnica

O fluxo tem dois estágios.

Estágio 1: captura e extração (Readwise faz isso). Tudo que você salva, a partir de qualquer fonte, vai pro Readwise Reader: artigos, newsletters, vídeos, PDFs, tweets. O Readwise extrai o texto completo, transcreve vídeos, e guarda tudo de forma pesquisável. É a camada de arquivo searchable. Quase tudo fica aqui.

Estágio 2: roteamento com instrução explícita (você decide, Claude executa). O mecanismo central é o campo “Document note” de cada item no Reader. Você revisa os itens, consome cada um, e escreve a ação que quer na nota. O Claude lê a nota e executa. Se não há nota, não toca.

Exemplos de notas de instrução:

O último exemplo é a guarda central: a routine executa só ações reversíveis. Qualquer instrução ambígua ou que toca outro sistema é sinalizada, não executada, e fica pro humano resolver.

Onde fica o curado. O PARA (pasta de trabalho no Drive) guarda só o subconjunto que merece virar arquivo permanente: alimenta projeto ativo, é referência durável que você vai querer dentro do vault, ou você já leu e quer guardar estruturado. O Readwise é o arquivo searchable; o PARA é a curadoria.

Tags de navegação. Uma taxonomia fixa de categorias mantém o Readwise navegável por assunto, mesmo com centenas de itens: ia-produtividade, newsletter, modelos-mentais, financas, saude, carreira, entre outras. A regra é não criar tags fora da lista sem decidir explicitamente, senão o sistema vira uma sopa.

Como aplicar

Configurar a captura:

  1. Conecte o Readwise ao Claude via MCP (official Readwise connector). Isso dá ao Claude acesso direto ao Reader via API, sem depender de arquivos intermediários.
  2. Configure a taxonomia de tags no seu CLAUDE.md. Defina as categorias que fazem sentido pra sua vida.
  3. Configure o Mapa de Destino no runbook do Claude: qual tag ou tema vai pra qual pasta do PARA.

Fluxo semanal:

  1. Revise o Readwise quando der, no ritmo que funciona pra você.
  2. Para cada item que merece ação, escreva a instrução na Document note.
  3. Diga “processa meu readwise” pro Claude. Ele lista os itens com nota e executa cada instrução.
  4. Resultado: cada item processado tem um log (instrução → ação → destino).

Automação diária (opcional). Se você escreve as instruções com frequência, faz sentido criar uma routine diária no Claude Code que processa as notas automaticamente, sem precisar pedir. A routine roda só sobre itens com nota, então dias sem instrução são no-op. A guarda continua valendo: só ações reversíveis, ambíguo sinalizado.

O que não fazer. Não pedir pra IA “rotar o que faz sentido” sem nota. Não criar destinos fora do Mapa de Destino configurado. Não deletar: se o destino estava errado, mover é reversível, deletar não é.

O que torna esse sistema confiável não é a sofisticação. É a clareza de quem decide o quê: você define a intenção, o Claude executa a mecânica.