Skill
Cliente fantasma
revisaopontos-cegosentregapre-mortemskill
O que faz
Roda dentro da conversa em que você construiu a coisa (agente, automação, planilha, documento, apresentação), como último passo antes do “terminei”. A IA monta a persona de quem vai usar aquilo a partir do contexto que já está na mesa, escreve a entrevista inteira nos dois lados, separa os achados em “quebra a entrega” e “só melhoria”, aplica sozinha as correções da primeira lista com um resumo o que mudou → por quê, e fecha com um pré-mortem. Se a entrevista sair elogiosa, ela falhou.
A técnica completa, com o problema, o prompt pra colar em qualquer chat e seis notas de como aplicar bem, está em O cliente fantasma. Esta página é só a versão em skill.
Quando usar
Toda vez que você sinalizar que terminou algo que outra pessoa vai usar (“acho que tá pronto”, “vou mandar pra ela”, “finalizei”). É o momento em que você não ia lembrar de revisar, e a skill existe justamente pra disparar sozinha ali. Também sob demanda: “passa pelo cliente fantasma”, “onde isso vai furar?”, “isso tá pronto pra entregar?”. Não substitui colocar na mão de quem vai usar; pega a outra categoria de erro, o que fica óbvio depois que alguém tropeça nele.
Como instalar
Salve o arquivo em .claude/skills/cliente-fantasma/SKILL.md no seu Claude OS ou projeto. No Cowork dá pra instalar pela interface, sem terminal: Customize > Skills > +, e suba a skill. A invocação é automática pela descrição.
Arquivo
---
name: cliente-fantasma
description: Use como passo de fechamento antes de o usuário dar por encerrada qualquer coisa que vocês construíram juntos (agente, automação, planilha, documento, processo, apresentação) e que outra pessoa vai usar. Simula a entrevista completa com quem vai usar aquilo, acha o atrito de uso que o construtor não enxerga, aplica as correções e fecha com um pré-mortem. Trigger quando ele disser "passa pelo cliente fantasma", "acha os pontos cegos disso", "isso tá pronto pra entregar?", ou quando ele sinalizar que terminou algo que vai entregar.
---
# Cliente fantasma
Simule a pessoa que vai usar o que foi construído, ache o atrito que o construtor não enxerga porque testou do próprio lugar, e corrija antes de a entrega sair. Franqueza vale mais que elogio: uma entrevista simpática não serve pra nada aqui.
Esta skill roda **dentro da conversa em que a solução foi construída**, como último passo antes do "terminei". Você já tem o contexto: a solução, o percurso, quem pediu. Use isso em vez de pedir tudo de novo.
## Quando rodar
- Quando o usuário sinalizar que terminou algo que outra pessoa vai usar ("acho que tá pronto", "vou mandar pra ela", "finalizei").
- Sob demanda: "passa pelo cliente fantasma", "onde isso vai furar?".
## Passo 1: Montar a persona com o que já está na mesa
Reconstrua sozinho, do contexto da conversa: o que foi construído, o percurso de uso (onde o arquivo nasce, como a pessoa recebe, o que ela clica, o que faz com o resultado) e quem vai usar.
Pergunte **só o que faltar de verdade**, no máximo duas coisas, e as duas que mais faltam costumam ser:
1. **O que essa pessoa não tem:** acesso, permissão, familiaridade com a ferramenta, tempo, contexto do projeto. É a origem mais comum do ponto cego, porque o construtor tem tudo isso e esquece.
2. **O pedaço do percurso que ficou implícito**, se vocês nunca falaram dele.
Se der pra inferir com segurança, infira e diga a suposição em uma linha, em vez de interrogar.
## Passo 2: Escrever a entrevista inteira
Escreva os dois lados: você faz as perguntas e responde no papel da pessoa, reagindo à entrega na primeira pessoa. **Não faça perguntas ao usuário nesta etapa.** Ele não participa, ele lê.
Priorize o atrito de uso sobre a discussão da ideia: acesso, permissão, formato, onde a pessoa trava, o que ela não vai entender, o que ela vai ter que fazer na mão mesmo assim.
## Passo 3: Separar os achados
Feche a entrevista com duas listas, cada uma ordenada pela probabilidade de acontecer:
- **Quebra a entrega:** o que impede a pessoa de usar.
- **Só melhoria:** o que incomoda mas não impede.
## Passo 4: Aplicar as correções e mostrar o que mudou
Corrija sozinho tudo da lista "quebra a entrega" que estiver ao seu alcance na sessão. Depois de aplicar, entregue um resumo curto no formato `o que mudou → por quê`, um item por linha.
Duas regras que governam este passo:
- **Nada de correção silenciosa.** Toda alteração aplicada aparece no resumo. O usuário precisa conseguir desfazer, e ele só desfaz o que enxerga.
- **O que for irreversível ou fora do seu alcance, você propõe, não executa.** Apagar, sobrescrever original, mexer em permissão de sistema, mandar mensagem pra alguém: entra como recomendação com o passo exato, e o usuário decide.
Os itens de "só melhoria" ficam como sugestão, sem aplicar.
## Passo 5: Pré-mortem
Assuma que a entrega já aconteceu e fracassou feio. Liste as razões mais prováveis, da mais provável pra menos. Procure a categoria que a entrevista não pega: ninguém adotou, virou trabalho a mais pra alguém, quebrou quando o volume cresceu, a pessoa usou errado e ninguém percebeu.
## Princípio
Quem constrói testa do próprio lugar, com o próprio acesso. O cliente fantasma existe pra devolver o percurso da outra pessoa antes que ela viva ele de verdade. Se a entrevista sair elogiosa, ela falhou: volte, puxe o percurso de uso com mais detalhe e rode de novo.