Referência
Glossário de IA e Claude OS
Esta página é pra consulta rápida. Quando um termo aparecer num artigo, numa técnica ou numa conversa e você quiser a definição em uma linha, procure aqui. Cada verbete tem uma definição curta, às vezes uma explicação de uma ou duas frases, e um exemplo concreto. Organizei por blocos: as faces do Claude, a arquitetura da pasta, os arquivos especiais, os recursos do app e os conceitos de uso.
As faces do Claude
Chat
Conversa direta com o Claude no app, sem pasta nem arquivos.
É o modo mais simples: você abre, pergunta, recebe resposta. Bom pra coisas pontuais que não precisam de contexto (explicar um conceito, traduzir um parágrafo, resumir uma notícia). Não acessa sua pasta, não cria arquivos no seu computador. Só fala.
Exemplo: você está lendo um relatório e quer entender um termo novo. Abre o Chat, pergunta, segue lendo.
Cowork
Claude com acesso à sua pasta no computador, capaz de ler, escrever e organizar arquivos.
É o modo onde o sistema vira sistema. Você aponta o Cowork pra uma pasta e ele passa a tratar essa pasta como o seu mundo: cria, edita, move, organiza, pesquisa. É aqui que a arquitetura, o CLAUDE.md, o MEMORY.md e o resto ganham vida.
Exemplo: você pede “atualize o MEMORY.md desta área com o que conversamos hoje”, e o arquivo na sua pasta muda na hora.
Code
Claude operando no terminal, voltado pra programadores.
Roda no terminal (a tela de texto). Permite que o Claude leia código-fonte, edite vários arquivos, rode testes, faça commits. Se você não programa, provavelmente não vai usar. Fica registrado só pra você saber que existe.
Claude for Chrome
Extensão do Claude que vive dentro do navegador.
Permite usar o Claude direto em qualquer site que você esteja navegando: resumir páginas longas, traduzir, perguntar sobre o que está na tela sem copiar e colar. Não substitui o Cowork (não toca a sua pasta), é um complemento pra quem vive no navegador.
Exemplo: você está num artigo longo. Em vez de copiar tudo, pede um resumo dos pontos principais ali mesmo e segue a leitura.
A arquitetura da pasta
Claude OS
A pasta no seu computador onde o Claude opera.
É só uma pasta, mas estruturada de um jeito que o Cowork entende. O nome grande é proposital: trata sua vida como algo que merece um sistema, não um amontoado de arquivos soltos. Dentro dela ficam os arquivos que importam, organizados pelo método PARA.
PARA
Sistema de organização de Tiago Forte: Projects, Areas, Resources, Archive.
Quatro pastas que cobrem qualquer tipo de informação. Projects pra coisas com prazo. Areas pra responsabilidades contínuas. Resources pra material de referência. Archive pra o que terminou. A força está em classificar pelo tipo de fluxo, não pelo tema.
Exemplo: “treinar pra uma prova com data” é projeto (acaba); “cuidar da saúde” é área (não acaba nunca).
Inbox
Pasta de entrada onde tudo cai antes de ser organizado.
Equivalente da caixa de entrada do email. Recebe anotações soltas, ideias, arquivos baixados que você ainda não sabe onde colocar. A regra é esvaziar regularmente: passar pelo Inbox, decidir pra onde cada coisa vai, e mover. É provisório por design.
Exemplo: durante a semana você joga referências soltas no Inbox. No fim de semana decide quais viram referência fixa e quais viram tarefa.
Projects (no PARA)
Coisas com começo, meio e fim. Têm prazo ou objetivo claro.
Qualquer iniciativa com data de entrega ou critério de pronto. Quando termina, vai pra Archive. (Cuidado pra não confundir com o “Projects” do app Claude, que é uma feature diferente, abaixo.)
Exemplo: “planejar uma viagem” é um projeto: tem prazo e tem critério de pronto. Quando acaba, a pasta inteira vai pra Archive.
Areas
Responsabilidades contínuas. Não acabam, são cuidadas indefinidamente.
A diferença pra projeto é que área não tem data de fim: saúde, finanças, carreira, casa. Cada área pode (e geralmente deve) ter o seu próprio CLAUDE.md e MEMORY.md, com regras e contexto específicos daquele assunto.
Exemplo: numa área de estudos você escreve no CLAUDE.md “tom didático, sempre cite a fonte”. Toda vez que trabalha em material de estudo, o Cowork lê essa regra e aplica.
Resources
Material de referência: leituras, frameworks, modelos, receitas.
Coisas que você consulta mas não está trabalhando ativamente. Sem prazo nem responsabilidade contínua: é biblioteca. Você visita quando precisa.
Exemplo: você guarda em Resources os modelos e exemplos que admira. Quando vai criar algo novo, pede pro Cowork buscar inspiração ali.
Archive
Onde vai o que terminou, foi cancelado ou virou irrelevante.
Não é lixo, é histórico. Você pode revisitar a qualquer momento. A diferença pro projeto ativo é só uma: o Archive não compete pela sua atenção. Mover um projeto encerrado pra cá libera espaço mental.
Exemplo: uma declaração de imposto fechada vai inteira pro Archive. Se precisar de um comprovante daqui a dois anos, está lá, sem ficar gritando por atenção todo dia.
Estrutura fractal
A mesma lógica se repete em cada nível: a área tem PARA dentro dela, o projeto também.
Fractal é uma forma que se repete em escalas diferentes. A pasta Claude OS funciona assim: PARA na raiz, e cada área pode ter seus próprios “Projetos” e “Recursos” dentro dela. A regra é a mesma em qualquer escala, então uma vez que você entende, sabe operar em qualquer nível.
Promoção de arquivos
Decidir o nível certo pra um arquivo viver, em vez de criar tudo na primeira pasta que aparecer.
Hábito que evita bagunça. Quando cria um arquivo, pergunte: isso serve só pra esse projeto, ou pra outros lugares também? Se serve pra mais lugares, “promove” pra um nível superior (Resources, ou a raiz). Você pode ensinar essa pergunta ao Cowork, e ele passa a fazer sozinho.
Exemplo: um arquivo “como negociar com fornecedor” criado dentro de um projeto específico, se você vai reusar sempre, sobe pra 3 Resources/.
Os arquivos especiais
CLAUDE.md
“Como você quer que eu trabalhe?” O arquivo de regras que você mantém.
Vive na raiz e em qualquer subpasta onde você queira regras locais. Define tom, formato preferido, restrições, jeito de operar. É o arquivo “constitucional” do seu sistema. Comece pequeno (3 ou 4 regras) e vá adicionando conforme aprende o que funciona.
Exemplo: no CLAUDE.md raiz você escreve “responda sempre em português; quando eu pedir resumo, vá direto ao ponto sem disclaimer”.
MEMORY.md
“O que está acontecendo no seu mundo?” O arquivo de fatos que o Claude mantém.
Diferente do CLAUDE.md (regras estáveis), o MEMORY.md muda toda semana: pessoas, projetos em andamento, decisões recentes, prazos próximos. Quando você abre uma conversa nova, o Cowork lê esse arquivo e já sabe o estado atual do seu mundo, sem você repetir tudo.
Exemplo: no domingo você pede “atualize o MEMORY.md com o que rolou na semana”. Na segunda, abre uma conversa nova e o Cowork já sabe onde tudo está.
INDEX.md
“O que existe na sua pasta?” Catálogo navegável mantido pelo Claude.
Lista pastas, arquivos importantes e uma breve descrição de cada um. Útil quando a pasta cresce e você não lembra mais onde tudo vive. Também ajuda o próprio Cowork a se localizar sem escanear tudo.
Exemplo: em vez de clicar pasta por pasta atrás de um arquivo antigo, você abre o INDEX.md e vê tudo listado num lugar só.
voice-principles.md
Arquivo opcional pra quem cria conteúdo: define a voz, o tom, o que evitar.
Define como você escreve: vocabulário, ritmo, palavras proibidas, exemplos do que “soa como você” e do que não soa. Quando o Cowork gera um post, um email ou um slide, lê esse arquivo e tenta soar você, não soar Claude.
Exemplo: você escreve “tom acolhedor, nunca prescritivo; evito jargão; sempre termino com uma pergunta”. Toda vez que pede ajuda pra escrever, o Cowork mira essa voz.
CLAUDE_OS_SETUP.md
Guia que o Cowork lê pra te ajudar a montar a pasta na primeira vez.
Você cola na pasta recém-criada e fala “leia isso e me ajude a montar”. Ele conduz os passos do setup: criar a estrutura PARA, escrever o CLAUDE.md raiz, criar a memória, montar o primeiro cômodo. Depois que o setup termina, pode ir pro Archive.
Os recursos do app
Projects (do app Claude)
Pastas dentro do app Claude (não no seu computador) que agrupam conversas e arquivos.
Nome igual ao “Projects” do PARA, conceito diferente. É uma feature do app: você cria um Project dentro do Claude, define instruções, sobe arquivos, e todas as conversas ali herdam esse contexto. Útil pra coisas que você quer separadas do Cowork.
Exemplo: você cria um Project pra um curso, sobe os PDFs e conversa só ali, sem misturar com a sua pasta no computador.
Memória (a feature)
Capacidade do Claude de lembrar de você entre conversas, mesmo sem o MEMORY.md.
Diferente do MEMORY.md (que é arquivo na sua pasta), Memória é uma feature do app: o próprio Claude vai guardando fatos sobre você ao longo das conversas. Você pode ver e editar isso nas configurações. As duas coisas se complementam.
Exemplo: você conta num Chat casual onde mora. Semanas depois, em outra conversa, o Claude lembra disso sem você repetir.
Skill
Conjunto de instruções especializadas que o Claude carrega quando você precisa.
Skills são “modos de expertise”: o Claude carrega um conjunto de regras e técnicas pra fazer um tipo de trabalho bem (criar slides, análise de dados, escrever um documento estruturado). Você não explica tudo do zero a cada vez. Algumas vêm da Anthropic, outras você pode criar. No Cowork, são acionadas automaticamente pelo nome do que você pede.
Exemplo: você pede “monta um deck de slides sobre o tema X”. O Cowork carrega a skill de apresentações automaticamente, que já sabe estruturar slides.
Connectors
Conexões que dão ao Claude acesso a outros sistemas: email, calendário, drive, notas.
Um conector permite que o Claude leia e (com sua autorização) escreva em sistemas externos: ler emails recentes, agendar eventos, buscar arquivos. Autorizado uma vez, e depois o Claude age como extensão sua nesses sistemas. É o que transforma “assistente que conversa” em “assistente que faz”.
Exemplo: você conecta o calendário e pede “agende 3 sessões na próxima semana, sempre depois das 19h”. O Cowork lê a agenda, acha os horários livres e cria os eventos.
Artifacts
Documentos visuais que o Claude gera dentro da conversa: HTML, PDF, gráfico, dashboard.
Qualquer saída visual que o Claude produz e renderiza no painel ao lado da conversa: uma página interativa, um relatório formatado, um gráfico, uma calculadora. Você vê na hora, pede ajustes, exporta.
Exemplo: você pede um dashboard pra acompanhar o progresso de um plano. O Cowork gera um HTML interativo com cards e prazos, e você abre toda semana.
Web search
O Claude busca na internet em tempo real e usa o resultado na resposta.
Sem isso, o Claude responde só com o que sabia até o corte do treinamento. Com web search ligado, ele busca conteúdo atual (notícias, dados recentes, preços) e cita as fontes pra você verificar.
Exemplo: você pergunta sobre estudos publicados neste mês sobre um tema. O Cowork busca, traz os artigos, resume cada um e linka.
Scheduled tasks (rotinas agendadas)
Tarefas que rodam sozinhas em horários definidos e te mandam o resultado.
Você define a tarefa uma vez (“toda segunda às 8h, faça X e me mande por email”) e o Claude executa sem você abrir o app. Pode ser diário, semanal, mensal ou em datas específicas. É o que transforma assistente passivo em proativo.
Exemplo: você cria uma rotina pra “todo domingo, ler meu MEMORY.md, comparar com a agenda e me lembrar do que está vindo na semana”.
Os conceitos de uso
Prompt
O texto que você escreve pro Claude: a pergunta, a instrução ou o pedido.
Quanto mais claro o prompt, melhor a resposta. Vale dizer o que você quer, pra quem é, em que formato e com que restrições. Não precisa ser longo, precisa ser específico.
Contexto (janela de contexto)
Tudo o que o Claude consegue “ver” de uma vez numa conversa: o que você escreveu, os arquivos que ele leu, o histórico.
A janela de contexto tem um limite. Conversas muito longas ou arquivos gigantes podem encher esse espaço, e aí o Claude começa a perder o começo. Por isso vale dividir tarefas grandes e usar a memória pra não depender de uma conversa eterna.
Token
A unidade que o Claude conta, mais ou menos uma palavra (às vezes um pedaço de palavra).
Quanto mais texto você passa e quanto mais ele gera, mais tokens, mais lento fica e mais consome do seu limite. Eficiência de token não é avareza, é foco: peça resumo quando precisa de resumo, detalhe quando precisa de detalhe. Use anexos em vez de colar texto longo.
Exemplo: em vez de “me explica tudo sobre o assunto”, peça “me dê 3 pontos práticos sobre o assunto”. A resposta cabe na tela.
MCP
Protocolo que padroniza como o Claude se conecta a ferramentas e sistemas externos.
MCP (Model Context Protocol) é o “encaixe” comum por trás de muitos connectors. Pra quem usa, a ideia prática é: é o padrão que deixa o Claude conversar com outros aplicativos de um jeito previsível, sem cada integração ser uma gambiarra própria.
Agente
O Claude agindo em vários passos sozinho pra entregar um resultado, não só respondendo a uma pergunta.
Um agente recebe um objetivo, decide o caminho, executa as etapas (ler arquivos, buscar na web, usar ferramentas) e devolve o resultado. O Cowork é o Claude operando em modo agente dentro da sua pasta.
Exemplo: você pede “organize os arquivos que joguei no Inbox”. O agente lê cada um, decide pra onde vai, move e te conta o que fez.
Stacking de regras
Regras se acumulam de cima pra baixo na pasta. Igual leis: federal, estadual, municipal.
A pasta raiz tem o CLAUDE.md “constitucional”, que vale pra tudo. Cada subpasta pode adicionar o seu próprio CLAUDE.md com regras locais. A regra municipal não anula a federal, ela acrescenta. O Cowork lê todas as camadas que se aplicam ao arquivo que está olhando.
Exemplo: a raiz diz “responda em português”. A pasta de estudos acrescenta “tom didático”. Uma subpasta acrescenta “use uma notação específica”. Quando você trabalha num arquivo lá no fundo, as três regras se aplicam juntas.
Outcome-first prompting
Diga pro Claude o resultado que você quer, não os passos pra chegar lá.
A tentação é micro-gerenciar (“primeiro X, depois Y, depois Z”). O Claude trabalha melhor quando você define o destino e deixa ele descobrir o caminho.
Exemplo errado: “abra o extrato de janeiro, some a coluna, abra fevereiro, some também, calcule a média.” Exemplo certo: “qual a média mensal de gastos com mercado considerando os dois extratos da pasta?”