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Avaliei meu sistema contra os 8 níveis da Every

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A Every publicou um framework que eu usei pra me medir: os 8 níveis de adoção de IA. A ideia é simples e desconfortável. A cada nível você delega mais trabalho à máquina e deposita mais confiança nela. O detalhe que segura a tese de pé: nível mais alto não é “melhor”. O usuário sofisticado opera em vários níveis ao mesmo tempo e escolhe o nível certo pro problema na frente dele.

Resolvi colocar meu sistema na frente dessa régua e ser honesto. Aviso de spoiler: estou no nível 5, sólido, com um pé no 6. Mas o caminho até essa conclusão é mais interessante que o veredito.

A régua, de forma enxuta

Pra você se localizar antes de eu falar de mim:

  1. Chatbot: você pergunta numa interface separada e recebe resposta.
  2. Copilot: a IA fica embutida nos seus arquivos e colabora em tempo real.
  3. Agent: você descreve uma tarefa e o agente executa passo a passo, pedindo aprovação.
  4. Autopilot: você descreve a tarefa, o agente conclui sozinho e você revisa o resultado.
  5. Workflows: você monta um sistema com controles de qualidade em volta do agente, pra ele ser confiável.
  6. Assistant: o agente monitora domínios de forma proativa e cuida do recorrente sem você acionar.
  7. Multi-agent: você gere vários agentes long-running em paralelo, cada um com sua responsabilidade.
  8. Orchestrator: um agente-gerente coordena um time de sub-agentes; você cuida só dos objetivos.
↑ mais delegação, mais confiança 8 Orchestrator 7 Multi-agent 6 Assistant 5 Workflows você está aqui 4 Autopilot 3 Agent 2 Copilot 1 Chatbot
A régua da Every, de baixo pra cima. Meu sistema está firme no nível 5, com rotinas que já operam no 6.

Onde eu estou forte: nível 5

Meu chão é o nível 5. Não é uma coleção de prompts soltos: é um sistema com guardas em volta.

A pasta do meu segundo cérebro tem regras de roteamento, um arquivo de voz que todo texto em meu nome precisa passar, um teto de linhas pra memória não inflar, e skills que sabem onde salvar cada coisa. Quando peço pra processar minhas capturas, não é o agente improvisando: é um fluxo com etapas e checagens. Isso é confiabilidade construída de propósito, não sorte. Por isso me sinto seguro chamando o nível 5 de sólido.

Onde eu já encostei: nível 6

O que me empurrou pro 6 foram as rotinas que rodam sozinhas, sem eu pedir.

Tenho um organizador que arruma meu dia de manhã, um dispatch que joga tarefas pro Todoist nos projetos certos, e um nudge semanal que me lembra das melhores capturas do Readwise. Cada uma dessas monitora um domínio e cuida do recorrente sem ser acionada. Isso é a definição do nível 6: o assistente proativo. E como são três rodando em paralelo, já tem cheiro de nível 7.

A diferença pro 7 de verdade me parece ser só uma: falta a camada de cima que coordena essas rotinas. Hoje elas vivem lado a lado, cada uma no seu canto. Ninguém junta os outputs num briefing só.

Meu primeiro orquestrador (e ele já existe)

A parte que me surpreendeu na autoavaliação: eu já construí um pedaço do nível 8, e nem tinha pensado nele assim.

É a sala editorial da minha newsletter. Um agente que coordena sub-agentes, cada um com um papel (revisar estrutura, cortar gordura, achar o gancho), e consolida o resultado. Eu não dirijo cada revisor: eu defino o que quero e o agente-gerente delega. Não é um orquestrador completo, longe disso, mas é a primeira vez que um agente meu coordena um time em vez de só executar uma tarefa.

A própria Every admite que esse nível ainda é “altamente experimental”. Ferramentas existem pra demonstrar o conceito, mas mesmo entre engenheiros o humano costuma ser o próprio orquestrador. Então o fato de eu ter um caso real, pequeno e funcionando, me parece estar à frente do que eu esperava.

O próximo passo que estou mirando

O candidato seguinte é o que eu chamaria de um chief-of-staff. Um agente que rege as rotinas de nível 6 que hoje rodam soltas, junta os outputs delas e me entrega um briefing único de manhã, em vez de três notificações separadas.

Esse é o salto que fecha a lacuna que mencionei: sair de assistentes em paralelo (6, encostando no 7) pra um orquestrador que governa o sistema (8). Talvez eu descubra que não vale a pena, que três rotinas separadas funcionam melhor que uma orquestra. Faz parte do exercício testar.

O que ficou claro

A régua da Every não serve pra você subir nível por nível como se fosse um jogo. Serve pra você ver o seu sistema com mais nitidez. Eu achava que estava espalhado entre o nível 3 e o 4, improvisando. Descobri que tenho um nível 5 firme, três assistentes de nível 6 rodando juntos, e um pedaço de nível 8 já no ar.

O que separa quem usa IA de quem constrói com IA não é o modelo. É ter um sistema em camadas e saber em qual camada você está pisando. Me parece que esse é o real valor de uma régua assim: não o ranking, mas o espelho.